O Mar comeu a Porca…

Porca que prendia o Hélice ao eixo de Inox.

 

Tratada com um assunto assustador e abstrato, a Eletrólise ou Corrosão, é uma ciência exata. É um fenômeno físico químico conhecido, estudado, calculado e você pode entendê-lo sem maiores traumas. 

 

Quando você põe dois metais diferentes conectados fisicamente ou eletricamente  entre si e os mergulha na água do mar , você está criando uma espécie de pilha. Assim, alguma quantidade de corrente flui entre os dois metais. Essa corrente na verdade são elétrons que estão sendo fornecidos por um dos dois metais que se desfaz em íons dissolvidos na água e que se depositam sobre o outro metal.  Esta é uma reação química, chamada de Corrosão Galvânica,  que resulta na total destruição dos metais submersos de seu barco. 

 

A vítima a mais comum da Corrosão Galvânica é um hélice de bronze ou de alumínio em um eixo do aço inoxidável. Outros metais, entretanto,  também sofrem,   os lemes, encaixes dos lemes, rabetas, tomadas de água e registros   submersos  também correm sérios riscos. 

 

 A maneira com a qual nós neutralizamos a Corrosão Galvânica  é adicionando um terceiro metal no circuito, um metal menos nobre que doe seus elétrons mais facilmente do que os outros dois, dissolvendo-se assim antes. A este metal damos o nome de anodo de sacrifício,  e o metal que freqüentemente usamos para este fim é o Zinco. 

 

Cuidar de seus anodos de sacrifício ou de seus “Zincos” , é de fundamental importância, assim, quando os anodos se dissolvem completamente, aqueles metais que antes estavam sendo protegidos passam a se dissolver livremente.

 

A eficiência de um sistema de anodos  depende da área de sua superfície.

A área da superfície do zinco que necessitamos  varia com o tipo do metal que está sendo protegido e com a composição química da água, mas você pode usar 1% da área de superfície do metal protegido como um ponto  para começar. 

 

Verifique o metal protegido freqüentemente. Se mostrar sinais da corrosão apesar do zinco, você necessita mais área de superfície de Zinco. Substitua também os Zincos  quando apresentarem 50%  de desgaste por corrosão. 

 

Normalmente você não vai decidir ou calcular a quantidade de Zincos que você necessita, você simplesmente troca aqueles já usados por novos más o ideal  é que nós não tenhamos que fazer esta troca  com muita freqüência.

 

 A longevidade  de um ânodo de sacrifício é uma função de seu peso. Se você deseja que seu Zinco dure mais ,  você necessita instalar uma massa maior de Zinco. 

 

A origem de seu Zinco também tem papel importante, é comum encontrar anodos de Zinco feitos de restos reaproveitados.  Fundem-se restos de Zinco numa nova  forma e pronto.  Isto é fraude. O anodo de Zinco só é eficiente se estiver dentro das especificações corretas e todas estas especificações exigem um grau de pureza superior a 99% de Zinco na liga do anodo.  

Anodos de Zinco são relativamente baratos, procure comprá-los de fornecedores idôneos e com certificado de qualidade. 

 

Zincos não podem ser instalados em qualquer lugar. Um Anodo só é efetivamente eficicaz se estiver fazendo contato elétrico com o metal que está protegendo.  A melhor forma  de proteger, é montar o Zinco diretamente sobre o metal a ser protegido, para tanto as superfícies devem estar bem limpas. Quando isto é inviável, deve-se conectar o Zinco ao metal a ser protegido através de condutores elétricos que correm pelo fundo do casco, isto é feito através da malha de aterramento. 

 

É também de fundamental importância manter limpas e bem apertadas,  todas as conexões da malha de aterramento, um bom contato elétrico é fundamental para que os Zincos desempenhem bem a sua função. 

 

Por fim, anodos de sacrifício somente são eficientes se estiverem expostos, jamais os pinte, nem mesmo com tinta venenosa. 

 

Um bom profissional de elétrica pode medir e analisar seu sistema de proteção catódica com equipamento adequado. O equipamento não só fornece o diagnóstico sobre se os metais submersos estão protegidos com a quantidade adequada de Zinco como também pode checar se a malha de aterramento está íntegra e todos os metais submersos de fato estão protegidos. 

 

Por Eng. Roberto Brener