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O Botãozinho Vermelho dos Rádios VHF.

O Botãozinho Vermelho dos Rádios VHF.

 

Para que serve este botãozinho vermelho no qual está escrito Distress ou DSC?

Bom, o Sistema DSC (Digital Selective Call)  é um sistema semi automático, criado pela International Maritime Organization (IMO)  como padrão para estabelecer chamadas de rádio VHF , SSB e outros. O sistema faz parte do Global Maritime Distress and Safety System (GMDSS). O DSC é reservado ao anúncio de urgências, chamadas de perigo, emergência e avisos relacionados à segurança.

O que é uma Chamada  Seletiva Digital (DSC)?

1- Digital:

O sistema DSC usa um sinal digital para enviar informações como:

  • Um número de 9 dígitos que funciona como uma espécie de identidade da embarcação chamado MMSI (Maritime Móbile Service Identity). Este MMSI deve ser solicitado à Anatel junto com a Licença de Eestação de Navio. (estação Rádio)
  • A posição e horário de quem está fazendo a chamada. O VHF deve estar conectado a um GPS do qual esteja recebendo dados de posição.  Estes dados são transmitidos automaticamente quando se faz uma chamada de emergência.

2- Seletiva:

A chamada é seletiva  pois ela pode ser direcionada:

  • Para uma determinada estação ou embarcação.
  • Para estações ou embarcações em determinada região.
  • Para um grupo de estações ou embarcações com determinados MMSI.

3- Chamada:

Geralmente os rádios tocam como um telefone ao receber uma chamada DSC. A  estação que recebe a chamada reconhece ser a destinatária e a partir daí as duas partes deverão se transferir para um canal diferente para prosseguir a comunicação.

Isto funciona aqui no Brasil?

Funciona sim, embora nem todas as Marinas, Clubes Náuticos, Capitanhia dos Portos  e outras estações costeiras, ainda não monitorem o canal 70,  todos os Navios são obrigados a ter uma estação GMDSS que é  um conjunto de equipamentos de comunicação, entre eles um rádio VHF em escuta permanente do canal 70. Ao receber uma chamada DSC de emergência é disparado um alarme,  e quem recebe deve avisar as autoridades competentes sobre a chamada , informando o MMSI ,localização da embarcação em perigo e também o horário da chamada.  Hoje já não é mais possível comprar um ráfio VHF sem o tal botãozinho vermelho.

 

Isto significa que o Canal 70 é um canal exclusivo para chamadas de emergência?

A partir de 01/01/2005, os Navios foram desobrigados a fazer escuta no canal 16 de VHF  e  toda e qualquer chamada de emergência passará a ser feita via DSC  no canal 70. O Canal 70, que era usado como um canal qualquer, está agora reservado apenas para chamadas de emergência e não deve ser usado para outro propósito. Proteger este canal e mantê-lo desocupado é de fundamental importância.

E como posso saber se o meu VHF está com esta função ativa?

Não podemos simplesmente apertar o botãozinho vermelho e emitir um sinal automático de emergência só como teste. Isto poderia chegar a desencadear um SAR (busca e salvamento) por parte das autoridades e no caso de um falso alarme, poderia haver algumas sanções.

Inicialmente verifique que seu rádio esteja conectado ao seu GPS e esteja recebendo os dados de posição do mesmo. Para tanto o GPS deve estar ligado, e dependendo da marca de seu VHF,  você poderá ler  a sigla “NMEA”, “GPS”, “DSC”  ou ainda a Latitude e Longitude fornecidas pelo GPS no visor do rádio.

Você deve se certificar que seu MMSI esteja devidamente programado no rádio. Esta programação você mesmo pode fazer, acompanhando as instruções do manual do VHF e   tomando muito cuidado,  pois muitos rádios apenas permitem uma tentativa.

Você pode sim, fazer uma chamada seletiva digital (DSC) como não sendo uma chamada de emergência para um MMSI específico, como por exemplo, a um amigo cujo MMSI você saiba. Isto pode soar estranho pois as pessoas ainda não trocam os seus MMSI’s como trocam seus números de telefone. Consulte o manual de seu VHF e veja como você pode fazer uma chamada DSC para um MMSI conhecido. Se você conseguir estabelecer uma chamada DSC desta forma, poderá ficar confiante que no momento em que precisar levantar a capinha vermelha e acionar a sua chamada de emergência, todas as embarcações que monitoram este tipo de sinal estarão recebendo o seu MMSI e a sua posição. O seu Rádio permanecerá transmitindo este sinal até que alguém retorne com um sinal de conhecimento da chamada.


As 10 perguntas mais freqüentes sobre Inversores. 

Respostas para as 10 perguntas mais freqüentes sobre Inversores. 

Por Eng. Roberto Brener 

www.electraservice.com.br

Para aqueles que não sabem, inversores são dispositivos que nos permitem usar as baterias abordo para ligar equipamentos alimentados em 110V ou 220V, que normalmente teriam que ser ligados ao Gerador ou à Tomada de Cais. 

Quantos de nós já não nos questionamos sobre a necessidade de instalar ou não um inversor abordo?  As 10 mais freqüentes respostas sobre inversores visa ajuda-lo a decidir esta questão. 

 

1) Para instalar um Inversor, temos que ter um grande banco de baterias?

Uma regra simples é dimensionar o seu banco de baterias 12V para 20% da capacidade do inversor em Watts, ou 10% se seu banco de baterias for de 24V. Assim, para um inversor de 2500Watts necessitaríamos de cerca de 500Ah em 12V ou 250Ah em 24V.  Lembre sempre que o melhor tipo de bateria para funcionar com um Inversor são as baterias de Gel, seguidas pelas baterias de AGM. Para baterias automotivas convencionais, os bancos devem ser maiores, com mais baterias para evitar que estas sofram descargas profundas, o que reduz significativamente a vida deste tipo de bateria.  

 

2) E uma vez instalado, consome muita potência para funcionar?

Bem isso depende da eficiência do equipamento. Para ter essa informação, há que consultar as especificações do fabricante. 

Segundo o fabricante, o Xantrex Freedom Marine de 2500Watts tem uma eficiência de 85%. Isso significa que ele necessita 15% da energia fornecida na sua saída para poder funcionar. Assim, se ligarmos um Microondas de 1500Watts a um inversor deste tipo , ligado a uma bateria de 12Volts, estaremos consumindo 1500W/12V = 125 Ampéres da bateria, mais os 15% de energia que o Inversor necessita para funcionar. No total, nosso consumo será de 125 x 1,15 = 143,75 Ampéres.  Como o Micro-ondas funciona por alguns minutos, não há grande sacrifício da capacidade do seu banco de baterias em Ah. Em 5 minutos o total de Ah consumido das baterias seria de 12 Ah. 

Um Inversor com eficiência de 92% irá necessitar 11,25Ah para poder funcionar o mesmo forno de Microondas do exemplo anterior. Essas pequenas diferenças, no uso do dia a dia somam-se, e pode fazer valer a pena buscar equipamentos com melhor eficiência. Na hora da compra, compare a eficiência dos equipamentos e lembre que quanto mais alta a eficiência, melhor será o aproveitamento do seu banco de baterias. 

Outro fator que afeta o consumo é a capacidade de ficar em modo de “Espera” quando as cargas ligadas ao Inversor não estão em uso. Depende do modelo, alguns Inversores ficam “Invernando” se as cargas ligadas a ele estiverem desligadas e “acordam” ao sentir que uma delas foi ligada. Este consumo varia de 1 a 1,5 Watt dependendo da marca e modelo. 

 

3) O que significa Inversor de onda Senoidal e Inversor de onda Senoidal Modificada ou onda Quadrada? 

A rede elétrica gera uma corrente elétrica em forma de onda senoidal perfeita; ver a onda vermelha da fig 1. Os Inversores de última geração produzem uma onda assim, já os mais antigos tentam construir a senóide empilhando ondas quadradas conforme as ondas verde e azul da figura 1.   Somente a onda senoidal perfeita garante o bom funcionamento de seus equipamentos mais sensíveis. 

 Fig 1.

 

4) Qual é a diferença prática entre usar inversores de onda Senoidal e de Onda não senoidal? 

A diferença pode ser significativa, uma vez que todos os equipamentos foram projetados para trabalhar com forma de onda Senoidal. A onda Senoidal por ser mais limpa, faz com que os equipamentos funcionem melhor, porém esta tecnologia tem seu preço e inversores de onda Senoidal costumam ser mais caros. 

Formas de onda não Senoidais podem causar efeitos negativos e fadigar alguns equipamentos a médio e curto prazo. Fornos de Microondas e alguns motores podem aquecer, funcionar incorretamente e de forma barulhenta. Aparelhos de televisão podem gerar listas ou ruído na imagem, aparelhos de som podem gerar zumbidos ou ruídos, computadores e impressoras podem apresentar problemas e alguns Laptops podem simplesmente não funcionar. 

 

5) Existe algum tipo de equipamento que não possa ser ligado a um Inverter?

Você pode conectar praticamente qualquer equipamento ou eletrodoméstico a um Inversor, com poucas exceções. Cargas com alto consumo podem drenar a carga das suas baterias rapidamente, e seu banco de baterias pode não ser grande o suficiente para manter esta carga ligada pelo tempo necessário. Isso se aplica a fogões ou fornos elétricos e aos aparelhos de ar condicionado. Equipamentos com uso intermitente ou  por pequenos intervalos de tempo como pequenas máquinas de lavar pratos, secadoras, ou uma boca elétrica de fogão pequena podem ser usados via Inversor, desde que o banco de bateria esteja bem dimensionado para este fim. 

 

6) Podemos cozinhar usando o Inversor? 

Sim, é possível cozinhar usando o Inversor. Para tanto, o banco de baterias deve ser razoavelmente grande e o Inversor deve ser de no mínimo 2KW. Se você entretanto quiser preparar um banquete, o gerador ou a tomada de cais deverão ser usados. Você deve considerar também que ligar o gerador para aquecer um prato , fritar um bife ou cozinhar um ovo é um desperdício danoso ao gerador, que não vai chegar nem mesmo a esquentar corretamente antes de ser desligado novamente. Assim, uma boa solução é deixar apenas uma das bocas elétricas do seu fogão ligada ao Inversor, assim, se a idéia for fazer algo rápido, o gerador não precisará ser ligado. 

 

7) É possível usar um pequeno aparelho de ar condicionado pelo Inversor? 

Sim, é viável usar um pequeno aparelho de Ar Condicionado ligado ao Inversor, entretanto alguns cuidados devem ser tomados. Aparelhos de Ar Condicionado devem desligar seus compressores quando atingem a temperatura ajustada para o ambiente que deve ser refrigerado, portanto este ajuste deve ser feito de forma a que o compressor funcione por algum tempo e desligue, mantendo a temperatura agradável, principalmente à noite, onde não há insolação. Para este tipo de aplicação, tanto o Inversor, como o banco de baterias, devem estar muito bem dimensionados. 

 

8) Existem versões que além de Inversor também carregam as Baterias?

Sim, e a grande vantagem deste tipo de equipamento, é que ele normalmente possui grande capacidade de recarga, o que somente seria possível obter associando alguns carregadores de bateria em paralelo. 

Alguns destes equipamentos possuem ainda chaves de “by pass” que permitem alimentar as cargas ligadas a eles através das baterias e automaticamente conecta-las ao Gerador ou da Tomada de Cais se estes estiverem presentes. 

A Mastervolt possui modelos com até 200 Amperes de capacidade de carga e que podem ser ligados em paralelo com a Tomada de Cais ou com o Gerador para reforçar a oferta de energia em momentos de grande demanda. 

 

 9) Qual é o melhor lugar para instalar um Inversor?

A primeira recomendação é instalar o inversor o mais próximo das baterias. Isso irá reduzir os custos de instalação e melhorar a performance. O importante é reduzir o comprimento e consequentemente a queda de tensão entre o Inversor e as baterias. 

A seguir, deve ser considerado que Inversores geram calor e precisam de ventilação para poder funcionar corretamente. Procure instala-los em locais secos, longe dos porões e principalmente bem ventilados. 

 

10) É necessário alguma capacitação técnica para instalar um Inversor?

Não, a princípio qualquer técnico que saiba ler o manual de instalação pode fazê-lo, porém deve ser tomado todo o cuidado, para que em momento algum, o equipamento receba energia do gerador ou da tomada de cais pela sua saída. Esta é a mais comum causa de falhas nas instalações de Inversores. Se for verdade que nada supera a experiência, não deixe que seu técnico aprenda seu ofício à custa do seu Inversor. 

 


O Mar comeu a Porca...

Porca que prendia o Hélice ao eixo de Inox.

 

Tratada com um assunto assustador e abstrato, a Eletrólise ou Corrosão, é uma ciência exata. É um fenômeno físico químico conhecido, estudado, calculado e você pode entendê-lo sem maiores traumas. 

 

Quando você põe dois metais diferentes conectados fisicamente ou eletricamente  entre si e os mergulha na água do mar , você está criando uma espécie de pilha. Assim, alguma quantidade de corrente flui entre os dois metais. Essa corrente na verdade são elétrons que estão sendo fornecidos por um dos dois metais que se desfaz em íons dissolvidos na água e que se depositam sobre o outro metal.  Esta é uma reação química, chamada de Corrosão Galvânica,  que resulta na total destruição dos metais submersos de seu barco. 

 

A vítima a mais comum da Corrosão Galvânica é um hélice de bronze ou de alumínio em um eixo do aço inoxidável. Outros metais, entretanto,  também sofrem,   os lemes, encaixes dos lemes, rabetas, tomadas de água e registros   submersos  também correm sérios riscos. 

 

 A maneira com a qual nós neutralizamos a Corrosão Galvânica  é adicionando um terceiro metal no circuito, um metal menos nobre que doe seus elétrons mais facilmente do que os outros dois, dissolvendo-se assim antes. A este metal damos o nome de anodo de sacrifício,  e o metal que freqüentemente usamos para este fim é o Zinco. 

 

Cuidar de seus anodos de sacrifício ou de seus “Zincos” , é de fundamental importância, assim, quando os anodos se dissolvem completamente, aqueles metais que antes estavam sendo protegidos passam a se dissolver livremente.

 

A eficiência de um sistema de anodos  depende da área de sua superfície.

A área da superfície do zinco que necessitamos  varia com o tipo do metal que está sendo protegido e com a composição química da água, mas você pode usar 1% da área de superfície do metal protegido como um ponto  para começar. 

 

Verifique o metal protegido freqüentemente. Se mostrar sinais da corrosão apesar do zinco, você necessita mais área de superfície de Zinco. Substitua também os Zincos  quando apresentarem 50%  de desgaste por corrosão. 

 

Normalmente você não vai decidir ou calcular a quantidade de Zincos que você necessita, você simplesmente troca aqueles já usados por novos más o ideal  é que nós não tenhamos que fazer esta troca  com muita freqüência.

 

 A longevidade  de um ânodo de sacrifício é uma função de seu peso. Se você deseja que seu Zinco dure mais ,  você necessita instalar uma massa maior de Zinco. 

 

A origem de seu Zinco também tem papel importante, é comum encontrar anodos de Zinco feitos de restos reaproveitados.  Fundem-se restos de Zinco numa nova  forma e pronto.  Isto é fraude. O anodo de Zinco só é eficiente se estiver dentro das especificações corretas e todas estas especificações exigem um grau de pureza superior a 99% de Zinco na liga do anodo.  

Anodos de Zinco são relativamente baratos, procure comprá-los de fornecedores idôneos e com certificado de qualidade. 

 

Zincos não podem ser instalados em qualquer lugar. Um Anodo só é efetivamente eficicaz se estiver fazendo contato elétrico com o metal que está protegendo.  A melhor forma  de proteger, é montar o Zinco diretamente sobre o metal a ser protegido, para tanto as superfícies devem estar bem limpas. Quando isto é inviável, deve-se conectar o Zinco ao metal a ser protegido através de condutores elétricos que correm pelo fundo do casco, isto é feito através da malha de aterramento. 

 

É também de fundamental importância manter limpas e bem apertadas,  todas as conexões da malha de aterramento, um bom contato elétrico é fundamental para que os Zincos desempenhem bem a sua função. 

 

Por fim, anodos de sacrifício somente são eficientes se estiverem expostos, jamais os pinte, nem mesmo com tinta venenosa. 

 

Um bom profissional de elétrica pode medir e analisar seu sistema de proteção catódica com equipamento adequado. O equipamento não só fornece o diagnóstico sobre se os metais submersos estão protegidos com a quantidade adequada de Zinco como também pode checar se a malha de aterramento está íntegra e todos os metais submersos de fato estão protegidos. 

 

Por Eng. Roberto Brener


RAIOS

Descargas, relâmpagos e trovoadas

Por Roberto Brener 

O Cláudio é um daqueles clientes que com o passar dos anos virou um amigo. Empresário de sucesso, realizou seu sonho e comprou um belíssimo veleiro francês, novinho em folha, totalmente equipado.  Com poucos meses de uso a maioria dos eletrônicos não funcionava, havia falhas na comunicação entre eles, o rádio VHF ligava más não transmitia nem recebia e muitos equipamentos elétricos apresentavam funcionamento irregular. A antena de VHF do mastro do veleiro não estava mais lá, talvez tivesse caído. De qualquer forma o cenário era estranho, ainda mais se tratando de um estaleiro famoso e de uma marca renomada de eletrônicos.  Começamos por tentar pôr uma nova antena de VHF,  más tamanha foi nossa surpresa quando chegamos ao topo do mastro a ex-antena de VHF estava derretida, fundida ao mastro de alumínio. 

Após visitar um barco a motor de 62 pés importado,  cuja parte elétrica parecia digna de um exorcismo, encontramos uma antena de DGPS totalmente carbonizada, nenhum eletrônico funcionava e as manetes eletrônicas de um dos motores não engatava.  

 

Se a esta altura, você deduziu que a semelhança entre estes dois casos tem algo a ver com um raio, você tem razão, e se achar que isso é raro ou difícil de acontecer, saiba que este tipo de problema é comum, muito mais em veleiros, é claro, más isto também pode ocorrer em lanchas.  

Descarga no mastro de um veleiro.

 

Não sou um expert em tempestades e descargas atmosféricas, minha experiência é na parte elétrica, más estudando o assunto, quem sabe não conseguimos entendê-lo e ver como nós podemos evitá-lo ou até mesmo como podemos nos proteger.

 

De acordo com levantamento feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o País tem a maior porcentagem de mortos por esse tipo de incidente no mundo e sofre mais prejuízos econômicos em decorrência de tempestades elétricas do que os outros países. Nosso território é atingido por 70 milhões de raios por ano, ou seja, duas ou três descargas elétricas por segundo.

 

Os especialistas criaram um índice que determina o número de dias de tempestade por ano em uma região. A este índice é dado o nome de índice ceráunico. Abaixo mostramos alguns índices ceráunicos de algumas cidades do Brasil. 

 

Curitiba-PR 53 Londrina-PR 84
Rio de Janeiro-RJ 24 São Paulo-SP 38
Porto Alegre-RS 20 Florianópolis-SC 54
Joinville-SC 76 Xanxerê-SC 88
Passo Fundo-RS 74 Tubarão-SC 68
Blumenau-SC 70  

Somente a título de exemplo, este mesmo índice para a Europa seria entre 5 a 30.

Uma embarcação navegando representa um ponto de condução proeminente sobre uma superfície plana, estando, portanto, mais exposta a ser atingida por um raio que o resto do meio que a circunda. Apesar disso, a probabilidade de ser efetivamente atingida por um raio é muito baixa, já que o mar possui um baixo índice ceráunico. 

O raio é a união violenta das cargas positivas e negativas, produzindo uma descarga elétrica através de gases de baixa condutividade. A corrente de uma descarga atmosférica é da ordem de 15.000 A, podendo chegar a 200.000 A. O tempo de duração total de um raio é de aproximadamente 200 micro-segundos, porém a frente de onda ocorre em apenas 1,2 micro-segundos. É portanto uma quantidade enorme de energia com um enorme potencial de destruição.

Os raios ocorrem quando nuvens denominadas cúmulus-nimbus elevam-se no céu como grandes torres de algodão, brancas no alto e escuras na base. Este tipo de nuvem está sempre carregada eletricamente e é este o tipo responsável pelas tempestades. Desta forma, uma diferença de potencial enorme é criada, produzindo-se o raio  que vence a rigidez dielétrica do meio (ar ou vapor de água). Simultaneamente ao raio (descarga), se produz a luz (relâmpago) e, em seguida, o som (trovoada).

Nuvem Cumulus-Nimbus, típica nuvem de tempestade de raios

As descargas podem ocorrer dentro da nuvem, de nuvem a nuvem ou da nuvem à terra. Estas últimas são as que nos interessam, por serem as que provocam danos, tanto em terra, como na água.

Não existem embarcações à prova de raios,  más sim sistemas de proteção que atenuam os efeitos que a queda de um raio possa vir a causar. Navios são normalmente atingidos más sem grandes conseqüências, pois são grandes massas metálicas que em contato com o mar representam um amplo caminho para dissipação de energia.  Já num barco menor, normalmente feito de fibra de vidro ou madeira, não existe esse caminho natural de dissipação e toda a energia recebida vai buscar, e se não achar vai fazer, um caminho para atingir a água e se dissipar. Acredite, ali há energia suficiente para furar um casco de Fibra de Vidro.

É raro encontrar um barco devidamente protegido contra raios, e de fato instalar um sistema de proteção, aumenta, e muito, a possibilidade de vir a ser atingido. O objetivo de um sistema de proteção não é evitar o raio, más sim diminuir os danos ou mortes se a embarcação for atingida. 

Um bom sistema de proteção se constitui de:

 

  1. Um para raio ou haste captora.
  2. Um condutor elétrico para conduzir a energia até a água. 
  3. Terra Física (no caso das embarcações, um elemento que assegure contato elétrico com a água na qual flutua a embarcação).

 

O para raio é constituído de um mastro pontudo feito de material condutor, normalmente  preso ao ponto mais alto da embarcação, pode se usar também uma antena de rádio embora a maioria destas não tenha capacidade para isso. O condutor deve ser um fio, cordoalha ou uma tira de cobre de no mínimo 21mm quadrados de seção,  e deve correr do mastro até a terra da forma mais reta e curta possível. O elemento mais eficiente que assegura contato elétrico com a água na qual flutua a embarcação é a placa à terra, que pode ser de cobre, monel ou bronze naval. Esta deve ter ao menos 5mm de espessura e não menos do que 0,1m quadrados. Não é recomendável usar como placa de descarga outras partes normalmente submersas (hélice, pá do leme, placa para rádio-transmissores, etc.).É melhor usar as conexões parafusadas com arruelas dentadas de contato, tudo isso bem fixado. As conexões não devem ser soldadas pois podem derreter. 

 

As normas ainda ditam que uma embarcação para estar bem protegida deve ter seu para-raio instalado de forma a formar um conde de proteção de 45 graus onde toda a embarcação esteja inserida, o que viável apenas para alguns veleiros ou embarcações de grande porte. 

Ha ainda dispositivos que podem ser instalados junto aos rádios para facilitar a passagem das descargas quando estas atingem uma de suas antenas , sem que isto danifique os mesmos ou o sistema elétrico.  Estes dispositivos são chamados de “lightning arrestors” ou descarregadores. 

A melhor proteção, entretanto,  é evitar estar abordo durante qualquer tempestade más se você for pego de surpresa  num barco protegido ou não, é bom tomar algumas medidas: 

 

  • Permaneça no centro da cabine, se for uma lancha aberta fique abaixado para que seu corpo, que é um bom condutor, não seja o para raio do barco.
  • Mantenha braços e pernas dentro do barco, nada de tocar a água. 
  • Pare de pescar , de esquiar , não nade ou faça nenhuma atividade na água. Tenha em consideração que mesmo vendo a nuvem ou tempestade longe, o raio pode se dar uma milha avante. 
  • Não opere nem encoste em nenhum aparelho eletrônico, principalmente o VHF. Jamais fale no VHF durante uma tempestade de raios. Mantenha os eletrônicos desligados. 
  • Abaixe as antenas de VHF, SSB , Outriggers , varas de pesca  e qualquer outra protuberância que não faça parte do sistema de proteção contra raios.
  • Na medida do possível não encoste em partes metálicas distintas, ou em equipamentos ligados ao sistema elétrico distintos por exemplo as manetes e a armação metálica do pára-brisa.  Seu corpo pode ser o menor caminho para uma descarga atingir o ponto mais baixo da embarcação partindo de uma das suas mãos. 

 

Roberto Brener é engenheiro e diretor da Electra Service, empresa especializada em projetos e instalações elétricas em embarcações.  

Para mais detalhes consulte www.electraservice.com.br